Imaginando corporeidades vulneráveis no Capitaloceno: a criação de 2415 e Movimentos Tentaculares

Autores

DOI:

https://doi.org/10.5965/1414573101572026e0108

Palavras-chave:

capitaloceno, dança, educação somática, criação, cena

Resumo

Este artigo discute como a dança e a educação somática podem tensionar o ideário do “supercorpo” e propor corporeidades vulneráveis no enfrentamento ao Capitaloceno. A partir de referências como Haraway, Krenak e Tsing, e de práticas inspiradas em Klauss Vianna, Martha Graham e na convivência com seres tentaculares, como minhocas de composteira, a pesquisa culminou na criação da prática corporal Movimentos Tentaculares e da obra cênica 2415. Essas experiências exploraram a vulnerabilidade como potência e questionaram hierarquias antropocêntricas, mobilizando o público para refletir sobre futuros multiespécie.  

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Biografia do Autor

Marcela Pereyra Páez, Universidade Estadual de Campinas

Mestrado em Artes da Cena pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). Bacharelado em Interpretação Teatral pela Universidade de São Paulo. Bailarina formada pela Royal Academy of Dance (RAD), junto ao Estúdio de Ballet Cisne Negro. 

Juliana M. R. de Moraes, Universidade Estadual de Campinas

Professora Livre Docente do Departamento de Artes Corporais da UNICAMP. Atua no Bacharelado e na Licenciatura em Dança, assim como no Programa de Pós-Graduação em Artes da Cena, ambos do Instituto de Artes da UNICAMP. Coordenadora do Núcleo de Práticas Experimentais em Coreografia (NPEC), com orientandos de pós-graduação e de iniciação científica.

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Publicado

29-04-2026

Como Citar

PÁEZ, Marcela Pereyra; MORAES, Juliana M. R. de. Imaginando corporeidades vulneráveis no Capitaloceno: a criação de 2415 e Movimentos Tentaculares. Urdimento - Revista de Estudos em Artes Cênicas, Florianópolis, v. 1, n. 57, p. 1–22, 2026. DOI: 10.5965/1414573101572026e0108. Disponível em: https://www.periodicos.udesc.br/index.php/urdimento/article/view/27889. Acesso em: 30 abr. 2026.

Edição

Seção

Dossiê Temático: As artes vivas e o Antropoceno/Capitaloceno II