Literatura e desenho: Porto Calendário, oeste baiano e transcriação
DOI:
https://doi.org/10.5965/244712671132025279Palavras-chave:
Desenho, Literatura, TranscriaçãoResumo
Este ensaio apresenta uma reflexão pontual sobre uma experiência de iniciação científica, além do diálogo direto com alguns resultados da própria investigação. Trata-se de uma pesquisa teórico-prática sobre as relações entre a literatura e as artes visuais, tomando a potência da leitura crítica como originária de produtos científicos, mas, também e sobretudo, de produções criativas em outras linguagens e em outras mídias. Utilizando-se do conceito “transposição midiática”, de Irina Rajewski (2012), empreendeu-se a leitura e a transcriação do romance ‘Porto Calendário’ (1962), de Osório Alves de Castro, na linguagem artística e na mídia do desenho sobre papel, a fim de suscitar respostas críticas e criativas sobre os diálogos interartes e intermidiáticos envolvidos. Como um dos resultados, compreendemos que a transcriação, ou a tradução criativa (Campos, 2006), entre diferentes linguagens e mídias também pode ser uma potente forma de elaborar outras estórias sobre memórias e culturas, as quais muitas vezes são estigmatizadas com perigosas histórias únicas, parafraseando o alerta da escritora nigeriana Chimamanda Adichie (2009).
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