Um ensaio sobre o assombro: a estética do vazio na Reforma Protestante e a questão do Sublime
DOI:
https://doi.org/10.5965/2175234618442026e0002Palavras-chave:
Reforma Protestante, Iconoclastia, Arte cristã, Sublime, Estética religiosaResumo
Este artigo examina a estética reformada do século XVI a partir do problema da visibilidade do divino e argumenta que a Reforma Protestante, ao desmontar a confiança medieval na imagem como mediação do sagrado, produziu condições históricas e sensíveis que antecipam aquilo que a modernidade chamaria de sublime. Partindo das críticas de Lutero ao culto supersticioso das imagens e da recusa sistemática de Calvino em admitir qualquer tentativa de circunscrever Deus pelo olhar, o texto analisa como o esvaziamento iconográfico, seja pela depuração da imagem luterana, seja pelo ímpeto iconoclasta dos círculos calvinistas, instaurou novas formas de relação estética com o invisível. A partir de Edmund Burke, sugerimos que categorias como assombro, grandiosidade e infinitude encontram paralelo na experiência reformada do sagrado. Por fim, aproximamos essas transformações do pensamento moderno sobre o irrepresentável, sobretudo em Lyotard, para indicar como a Reforma inaugura uma sensibilidade em que o divino não se mostra mais pela imagem, mas pela ausência que excede o olhar. Assim, aquilo que na teologia se expressa como impossibilidade de representar Deus ressurge na filosofia moderna como experiência estética do sublime.
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