Matéria abundante: considerações sobre o sublime pictórico e o a-cúmulo de tinta em Iberê Camargo
DOI:
https://doi.org/10.5965/2175234618442026e0008Palabras clave:
Sublime, Pintura, Iberê Camargo, Daniel Arasse, Louis MarinResumen
O artigo investiga a noção de excesso material na pintura de Iberê Camargo a partir da experiência do autor com a observação fotográfica de detalhes de suas obras na Fundação Iberê Camargo, em 2020. A análise articula a ideia de “matéria abundante” associada à fatura do artista com a teoria do detalhe desenvolvida por Daniel Arasse em O detalhe, especialmente a noção de “cúmulo de pintura” (comble de peinture). O estudo propõe uma aproximação entre essa noção e o conceito de sublime pictórico formulado por Louis Marin, entendido como o excesso interno da representação sobre si mesma. A partir dessa matriz teórica, discute-se como o detalhe, ao romper o equilíbrio do todo, instaura um acontecimento da pintura que desloca o espectador da distância clássica do olhar. Em Iberê, esse processo se manifesta no a-cúmulo de tinta, no embate corporal com a superfície pictórica e na opacidade crescente da representação. O artigo também aborda a relação do artista com a tradição europeia, sua recusa do informalismo, sua postura trágica diante da pintura e o vínculo entre sublimidade, melancolia e herança romântica. Assim, a materialidade excessiva da pintura de Iberê é compreendida como lugar de tensão entre forma e matéria, tradição e falência representacional, onde o sublime se manifesta como fascínio e como limite.
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