A participação política do MST com as crianças no Assentamento Histórias Vividas
DOI:
https://doi.org/10.5965/1984723827632026284Palavras-chave:
participação política, experiência intergeracional, crianças, MSTResumo
Este artigo tem como objetivo analisar o engajamento das crianças na experiência política do MST. Realiza-se um estudo etnográfico com crianças, adultos e idosos no Assentamento Histórias Vividas, localizado no município de São Mateus, no norte do estado do Espírito Santo, utilizando como principais instrumentos as observações participantes e os registros em diários de campo. A pesquisa situa-se no interstício entre duas perspectivas teóricas: de um lado, Hannah Arendt, para quem as questões políticas são de competência exclusiva dos adultos, descartando a priori a possibilidade de participação política das crianças; de outro, a Sociologia da Infância, um campo teórico contemporâneo que advoga pela participação das crianças na vida pública. Os resultados indicam que as crianças estão engajadas, junto às demais categorias, nas lutas do MST, sendo reconhecidas como participantes legítimas tanto no presente quanto no futuro. Em seus próprios modos de interpretar o mundo, elas compartilham com os adultos um “agir político”, extraindo da experiência intergeracional a política como algo que também lhes diz respeito. Conclui-se que essa perspectiva do MST contribui para inseri-las no conjunto de heranças historicamente produzidas pelo movimento, ao mesmo tempo em que evita excluí-las de um mundo no qual se espera que possam agir politicamente.
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