Habitus individuais enquanto formas de capital cultural: percursos escolares e acadêmicos de professoras da Universidade Federal de Minas Gerais
DOI:
https://doi.org/10.5965/1984723827632026337Palavras-chave:
capital cultural, habitus, relações de gênero, escolarização feminina, mulheres cientistasResumo
Um tema amplamente explorado na literatura educacional diz respeito às diferenças de gênero nas trajetórias educacionais, que influenciam a probabilidade de seguir determinadas profissões, como a carreira científica. Diante disso, este artigo baseia-se em entrevistas em profundidade com 17 docentes da Universidade Federal de Minas Gerais, objetivando identificar quais habitus funcionaram como formas de capital cultural em seus percursos acadêmicos e educacionais. Os resultados indicam que essas pesquisadoras, desde cedo, transgrediram as normas escolares dentro de certos limites, exercendo sua agência para questionar regras, adaptar regulamentos e priorizar aspectos que favorecessem seu aprendizado e desenvolvimento intelectual, como a adoção de práticas autodidatas. Outro elemento definidor em suas trajetórias foi a origem em ambientes familiares não tradicionais, nos quais os papéis de gênero convencionais não eram rigidamente impostos. Isso lhes proporcionou maior liberdade para desenvolver habilidades intelectuais e escolher ou seguir a carreira científica com autonomia e intencionalidade.
Downloads
Referências
BONI, Valdete; QUARESMA, Sílvia. Aprendendo a entrevistar: como fazer entrevistas em ciências sociais. Revista Eletrônica dos Pós‐graduandos em Sociologia Política da UFSC, [Florianópolis], v. 2, n. 1 (3), p. 68‐80, jan./jul. 2005.
BOURDIEU, Pierre. What makes a social class? On the theoretical and practical existence of groups. Berkeley Journal of Sociology, [s. l.], n. 32, p. 1-49, 1987.
BOURDIEU, Pierre; PASSERON, Jean-Claude. A reprodução: elementos para uma teoria do sistema de ensino. 2. ed. Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1982.
BOURDIEU, Pierre; PASSERON, Jean-Claude. Os herdeiros: os estudantes e a cultura. Florianópolis: Editora da UFSC, 2014.
CARVALHO, Marília. Avaliação escolar, gênero e raça. Papirus Editora, 2009.
CARVALHO, Marília. Sucesso e fracasso escolar: uma questão de gênero. Educação e Pesquisa, São Paulo, v. 29, n. 1, p. 185-193, 2003.
DUBET, François; MARTUCCELLI, Danilo. ¿En qué sociedad vivimos? Buenos Aires: Losada, 2000.
EPSTEIN, Joyce. School and family connections: theory, research, and implications for integrating sociologies of education and family. Marriage and Family Review, [s. l.], v. 15, n. 1-2, p. 99-126, 1990.
FREITAS, M. A. Mulheres Cientistas: percursos e percalços a partir da realidade da UFMG. Belo Horizonte: Conhecimento, 2018.
GRADY, Michael P. Qualitative and action research: a practitioner handbook. [Virginia]: Phi Delta Kappa International, 1998.
GROPPO, Luís Antônio. Introdução à sociologia da juventude. Jundiaí: Paco Editorial, 2017.
LOURO, Guacira L. Gênero, sexualidade e educação. 16. ed. Rio de Janeiro: Vozes, 2014.
MAUSS, Marcel. As técnicas do corpo. In: MAUSS, Marcel. Sociologia e antropologia. 2. ed. São Paulo: Perspectiva, 1974. p. 305-321.
OLIVEIRA, Letícia; ROQUE, Tatiana. Mulheres nas ciências: o que mudou e o que ainda precisamos mudar. Rio de Janeiro: Editora Oficina, 2024.
ORLANDI, Eni. Análise do discurso: princípios e procedimentos. Campinas: Pontes, 1990.
PARKER, Charlie; SCOTT, Sam; GEDDES, Alistair. Snowball sampling. Gloucestershire: SAGE research methods foundations, 2019.
PEREIRA, Fábio. Pesquisa brasileira recente em gênero, infância e desempenho escolar. Revista Educação, Gestão e Sociedade, [Cabedelo], ano 3, n. 12, p. 1-16, 2013. Disponível em: https://uniesp.edu.br/sites/_biblioteca/revistas/20170509155416.pdf. Acesso em: 28 maio 2024.
PEREZ, Caroline. Mulheres invisíveis: o viés dos dados em um mundo projetado para homens. 1. ed. Rio de Janeiro: Intrínseca, 2022.
PESSOA, Maria F.; VAZ, Daniela V.; BOTASSIO, Diego C. Viés de gênero na escolha profissional no Brasil. Cadernos de Pesquisa, [São Paulo], v. 51, p. 1-22, 2021.
ROSEMBERG, Fúlvia. A escola e as diferenças sexuais. Cadernos de Pesquisa, [São Paulo], n. 15, p. 78-85, 1975.
SAUNDERS, Benjamin et al. Saturation in qualitative research: exploring its conceptualization and operationalization. Quality & Quantity, [s. l.], v. 52, n. 4, p. 1893-1907, 2018.
SILVA NETO, Cláudio; CARVALHO, Marília. Indisciplina na sala de aula e suas nuances de gênero. Cadernos de Pesquisa, [São Paulo], v. 52, p. 3-17, 2022.
SILVA, Gilda O. Capital cultural, classe e gênero em Bourdieu. Revista Informare, [s. l.], v. 1, n. 2, p. 24-36, jul./dez. 1995.
SOUZA, Régis. Gênero e mulheres nas universidades: um estudo de caso na UFBA. 2014. Dissertação (Mestrado em Ciências Sociais) – Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas, Universidade Federal da Bahia, Salvador, 2014.
Downloads
Publicado
Como Citar
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2026 Revista Linhas

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution-NonCommercial-NoDerivatives 4.0 International License.
Os artigos publicados pela revista são de uso gratuito, destinados a aplicações educacionais e não comerciais. Os direitos autorais são todos cedidos à revista. Os artigos cujos autores são identificados representam a expressão do ponto de vista de seus autores e não a posição oficial da Revista Linhas ou do Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade do Estado de Santa Catarina.

A Revista Linhas está licenciada com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional.