Os tempos e os “desencantamentos” da história: uma análise do romance O som do rugido da onça (2021), de Micheliny Verunschk
DOI:
https://doi.org/10.5965/2175180317452025e0201Palabras clave:
liratura brasileira, campo historiográfico, Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (IHGB)Resumen
O objetivo deste artigo é analisar o romance O som do rugido da onça, da escritora brasileira Micheliny Verunschk, publicado em 2021, à luz das provocações que faz à historiografia e à literatura brasileiras, assim como à formação de seus cânones tais como estabelecidos desde o século XIX. O romance tem como premissa recriar a história da menina indígena da etnia miranha levada a Munique pelos naturalistas bávaros Carl Phillip von Martius e Johann Baptist von Spix depois de sua expedição ao Brasil entre 1817 e 1820. Martius, mais tarde, foi seminal para constituir uma forma de se narrar a história do Brasil, vencendo, décadas mais tarde, um concurso do Instituto Histórico e Geográfico Brasil com a dissertação intitulada Como se deve escrever a história do Brasil (1843). Pretendo aqui explorar os questionamentos que a obra de Verunschk coloca a esse episódio da historiografia brasileira, assim como à formação do subcampo da Teoria da História no Brasil nas últimas décadas.
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