O timbre como demarcador de territórios culturais na música eletroacústica
DOI:
https://doi.org/10.5965/2525530411012026e0109Palavras-chave:
Música eletroacústica, Timbre, Teoria e análise, Estudos culturais, DecolonialismoResumo
Partindo do campo da teoria e análise musical em diálogo com estudos culturais, o objetivo deste artigo é investigar como o timbre pode funcionar como marcador de territórios sociais, culturais e identitários na música eletroacústica, ainda que este gênero supostamente enfatize a abstração. A partir de experiências práticas e análises de obras de autores como Fernando Iazzetta, Denis Smalley, Pierre Schaeffer, Pierre Henry e Coriún Aharonián, o estudo mostra como o uso de determinados sons, como o do berimbau, da gaita de fole ou de flautas nativas, mesmo que transformados, evocam práticas culturais específicas, podendo funcionar como signos de identidade e diferenciação social. Enquanto que em alguns casos o uso desses timbres pode reforçar estereótipos e exotizações coloniais, em outros pode assumir caráter crítico e decolonial, afirmando resistências e pertencimento cultural. Conclui-se que o timbre, na música eletroacústica, é um elemento central não apenas na dimensão estrutural do som, mas também na sua dimensão simbólica, podendo representar culturas e ensejar narrativas.
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