MANIFESTAÇÕES DA SEXUALIDADE INFANTIL: percepção de pais e professoras de crianças de 0 a 6 anosMANIFESTATIONS OF CHILD SEXUALITY: perception of parents and teachers for children from 0 to 6 years

Ana Cláudia Bortolozzi Maia, Raquel Baptista Spaziani

Resumo


Este artigo apresenta um estudo descritivo-qualitativo que teve por objetivo investigar a percepção de sete professoras, cinco pais e dezoito mães sobre as manifestações sexuais de crianças até seis anos por meio de um questionário com questões semiabertas e posterior análise de conteúdo. As manifestações sexuais identificadas pelos adultos, na casa ou na escola, referem-se, principalmente, às questões de gênero e à descoberta do corpo: as crianças reproduzem concepções de masculino e feminino, manipulam seu próprio corpo ou o de outros, verbalizam sobre namoro, beijo na boca e sexo. As professoras, mais do que os pais e mães em casa, percebem os comportamentos sexuais das crianças, que na escola são explícitos. Professoras relatam que os comportamentos observados geram ansiedade e desconforto e os pais e mães que costumam dialogar com seus(uas) filhos(as) sobre o tema. Em geral, há relatos de pouco conhecimento sobre como agir diante das manifestações sexuais infantis, tanto das professoras que têm pouca formação acadêmica na área da sexualidade, quanto dos familiares, que demonstram certa dificuldade pessoal e moral. Conclui-se que os participantes compreendem as crianças como dotadas de sexualidade, pois percebem diferentes expressões da sexualidade infantil que são típicas do desenvolvimento. É preciso investir na formação acadêmica e continuada de professores da educação infantil, bem como no trabalho em conjunto da escola e da família, visando propiciar às crianças a experiência favorável de uma educação sexual emancipatória.
Palavras-Chave: Sexualidade infantil. Infância. Educação sexual. Educação infantil.


Abstract

This article presents a descriptive-qualitative study aimed at investigating the perception of seven teachers, 5 parents and 18 mothers about the sexual expression of children until 6 years old, through a questionnaire with semi-open questions for content analysis. The sexual behavior identified by adults at home or school refers mainly to gender issues and the discovery of the body: the children reproduce conceptions of masculine and feminine, they manipulate their own bodies or that of others, and they talk about dating, kissing in the mouth and sex. The teachers have a higher perception of the children’s sexual behaviors than their parents at home, because they are more explicit in school. Teachers report that the observed behaviors cause anxiety and discomfort, while the parents report that they usually talk with their children about the theme. In general, there are reports of little knowledge about how to deal with children’s sexual manifestations: for teachers, who have little academic training in the area of sexuality, and for the family, who show some personal and moral difficulties. It was concluded that participants understand children as having sexuality because they perceive different expressions of infant sexuality that are typical in the development. It is necessary to invest in teachers’ academic and continuing education in early childhood, and in a joint work with family and school, in search of a positive experience of an emancipatory sexual education for children.
Keywords: Infant sexuality. Childhood. Sex education. Early childhood education.


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