Estética do não retorno: o selvagem e o sublime na construção do imaginário ecológico
DOI:
https://doi.org/10.5965/2175234618442026e0005Palavras-chave:
Selvagem, Sublime, Antropoceno, Ecologia, Anti-estéticaResumo
Este artigo propõe uma leitura crítica do sublime enquanto categoria estética e política, examinando a sua transformação desde o Romantismo até ao Antropoceno. O objetivo é compreender como o sublime, antes associado à elevação espiritual perante a vastidão natural, se converte hoje numa experiência de consciência ecológica e melancolia diante da crise ambiental e do colapso entre o natural e o artificial. A metodologia articula uma análise historiográfica e ecocrítica, com base em autores como Timothy Morton ou Amanda Boetzkes, confrontando textos teóricos e práticas artísticas que moldaram o imaginário do selvagem. Os resultados apontam que o sublime romântico, ao idealizar a natureza como exterior e puro, reforçou uma nostalgia verde e uma forma de greenwashing afetivo, sustentando a separação entre humano e não humano. No contexto contemporâneo, esse paradigma é substituído por um sublime tecnorruinoso, marcado pela consciência da interdependência planetária e da vulnerabilidade ecológica. Assim, o sublime deve ser repensado como dispositivo crítico, capaz de revelar as contradições do imaginário ecológico e de impulsionar uma ética pós-natural, aberta à reformulação das relações entre cultura, técnica e ecologia.
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