Dossiê 24: Reconfiguração das Materialidades Através do Biodesign e dos Biomateriais
(v. 11, n. 2) Reconfiguração das Materialidades Através do Biodesign e dos Biomateriais | Revista de Ensino em Artes, Moda e Design (REAMD) – Universidade do Estado de Santa Catarina, Brasil, organizado por Cynthia Gómez Ramírez, Lais Kohan e Ivis de Aguiar Souza.
Prazo final para envio dos artigos: 28 de dezembro de 2026.
É com prazer que informamos o lançamento da chamada para publicação do Dossiê 24 da Revista de Ensino em Artes, Moda e Design (REAMD) – Universidade do Estado de Santa Catarina, Brasil. Intitulado Reconfiguração das Materialidades Através do Biodesign e dos Biomateriais, o Dossiê 24 será publicado em 1º de junho de 2027.
Ementa: Ainda que de forma restrita, à medida que o mundo reconheceu que o impacto de suas ações degrada o meio ambiente, os materiais que se decompõem ou biodegradam – os chamados materiais sustentáveis – têm ocupado lugar de destaque na indústria e na sociedade, constituindo uma área de pesquisa cada vez mais relevante. Os materiais ocupam um papel significativo na modelagem do mundo que nos cerca, desde os produtos que utilizamos até as edificações em que habitamos. Não obstante, os materiais tradicionais e os processos antropocêntricos empregados para produzi-los frequentemente geram impacto negativo sobre o ambiente (Bell et al., 2024).
Durante séculos, nossa relação com a materialidade foi mediada pela ausência de efetivo cuidado efetivo com a natureza. Hoje, essa relação parece ainda mais ter se fragmentado. Os materiais circulam em velocidades cada vez maiores, transformam-se rapidamente e desaparecem sem deixar vestígios visíveis quer pelo processo de produção rápido quer pela invisibilização/ apagamento, seus efeitos persistam nos ecossistemas. A matéria, que antes nos acompanhava, agora se acumula; o que antes era reparado, agora é descartado.
Neste contexto, emerge a necessidade de práticas em design que superem as limitações nos processos produtivos.
A humanidade vivenciou os processos produtivos do Antropoceno, época relacionada ao início dos grandes impactos na composição química da atmosfera, na radioatividade e nos materiais depositados na superfície da Terra causados pela indústria, a exemplo de práticas ligadas à extração insustentável, cadeias lineares e dependência de polímeros fósseis. Desse período, houve uma transição para o paradigma dos biomateriais e do biodesign, que é caracterizado por uma inversão que reorienta a prática do Design: em vez de usar e explorar passivamente a natureza, o designer se transforma em cocriador, inclusive trabalhando com organismos vivos. Ademais, é necessário transcender a simples utilização de materiais derivados de organismos (biobased) e promover a integração ativa de processos biológicos – como crescimento, metabolismo e autorreparação – no próprio cerne do processo de fabricação. O cultivo de fungos (micélio) aplicados em materiais, de bactérias (como a celulose bacteriana da kombucha), ou raízes de plantas exemplifica essa "prática de cultivo" (Growing Design), em que o designer atua menos como construtor e mais como curador de condições que permitem que o organismo manifeste suas propriedades materiais inerentes (Keune, 2021; Zhou et al., 2021).
É nesse sentido que se faz necessária uma educação que promova uma reconfiguração da visão do Designer focada no biodesign e nos biomateriais. Além disso, a inserção dos biomateriais e do biodesign nos currículos representa também a necessidade de os tornar mais interdisciplinares e de promover a intersecção do Design, da Engenharia e das Ciências Biológicas. As novas práticas em educação em biodesign, que aos poucos vêm sendo inseridas nos currículos, devem caminhar para além das práticas laboratoriais e do projeto em design como uma visão restrita ao projeto sustentável. Com efeito, a formação de novos profissionais deve integrar conhecimentos técnicos, éticos e filosóficos, além de privilegiar a criação de uma visão biocêntrica – onde os sistemas vivos não são recursos, mas agentes com os quais se estabelecem relações. A partir dessa nova abordagem. Serão formados designers mais preparados para refletir e desenvolver projetos assentados em um novo paradigma focado na natureza como parte do processo de design. Essa mudança abre a possibilidade de repensar a materialidade a partir de uma perspectiva mais ampla que tomam os materiais não simplesmente como objetos isolados, mas como parte de sistemas vivos em constante interação.
Nesse sentido, o Dossiê 24: Reconfiguração das Materialidades Através do Biodesign e dos Biomateriais busca receber trabalhos que articulem e discutam currículos dos cursos de design, teorias, práticas em biomateriais e biodesign e que versem sobre os seguintes eixos temáticos:
Design
- Digital design and biomaterial
- Biobase Textile Materials (fibers, composite)
- Material structure
- Biobased Material and finishing (textiles)
- Fashion Design (manufacturing, materials, Biofabricação Digital)
- Interdisciplinary Design Research
- Material processing
- Algorithmic geometry and biodesign
Design theory and methodology
- Design theories, processes and methods
- Practice-led design research (i.e., advanced product and service design)
- Ecosystem design research
- New paradigms
Education
- Education in biomaterials and biodesign
- Design e Fashion Design Curriculum and Biomaterial and Biodesign
As propostas podem abordar os temas afeitos ao escopo acima apresentado, sem se limitar a eles.
Diretrizes de publicação
- Os textos submetidos ao comitê editorial devem ser inéditos.
- O número máximo de autores/as por artigo é de três. Casos excepcionais serão avaliados pelos/as editores/as.
- Os artigos devem ter a partir de 18 páginas, incluindo referências bibliográficas, ilustrações, gráficos e tabelas.
- Os artigos podem ser redigidos em português, espanhol, inglês, francês ou italiano.
- Todo artigo publicado no dossiê deve conter um resumo expandido de 1000 a 1200palavras para o idioma inglês [ou português, caso o texto original seja em outro idioma], conforme template fornecido.
- Todas as formatações devem seguir as normas da revista (em caso de dúvida, consultar um artigo publicado recentemente).
- As Referências Bibliográficas devem seguir os padrões definidos pela ABNT NBR 6023 de 2023.
Organização
Cynthia Gómez Ramírez, Graduada em Design Têxtil, mestre em Administração de Empresas, estudou marketing de moda, tendências de estilo de vida, moda sustentável e experimentação têxtil na Central Saint Martin’s School. Recebeu reconhecimento como melhor designer e é considerada uma das 50 mulheres bem-sucedidas no México pelo grupo Expansión e pelo jornal Universal. Fundou o seu ateliê em 1996, onde desenvolve a sua marca homónima, especializada em têxteis de malha para Moda e Decoração de Interiores, sendo o seu estilo caracterizado pela riqueza cromática. Participou nas plataformas Fashion Week México, Desfila and Días de Moda durante mais de 10 temporadas. As suas coleções foram exibidas no Museu de Arte Carrillo Gil, na exposição “Boutique”, no Museu Ex Teresa Arte Actual, em “Modas Terminales”, e na Design Week Mexico, no Espaço Museu da Cidade do México. Ela foi coordenadora do programa de Moda Sustentável e Design Têxtil no Departamento de Design da Universidade IBERO (México), atualmente é professora titular e pesquisadora em biodesign e biomateriais têxteis.Exerce a docência há mais de 10 anos, lecionando disciplinas de design estratégico, design de moda e têxtil e gestão empresarial. Tem se dedicado a pesquisa em biomateriais e biodesign.
Lais Kohan, possui Doutorado com Duplo Diploma em Engenharia Têxtil pela Universidade do Minho e em Engenharia e Ciências dos Materiais pela Universidade de São Paulo.
Ivis de Aguiar Souza, Doutorando em Engenharia Têxtil pela Universidade do Minho em parceria com a Spin-off eDynamics e a Empa - Swiss Federal Laboratories for Materials Science and Technology (Suíça).




